SETE ANOS… e pra sempre.

Há três dias, eu conversava com a pessoa mais presente na minha vida atual sobre minha avó. A conversa, na verdade, era sobre questões diversas, leituras do Livro Sagrado e afins. E no meio disso, a onisciência de pensamentos que levam à minha avó surgiu.

Eu tinha 12 anos, depois um pouco mais. Nunca fui uma pessoa fácil. Talvez, nos últimos três anos esteja aprendendo, a cada dia, com tropeços, quedas e novos começos, a me tornar uma pessoa melhor.

Mas desde cedo aprontei poucas e ruins contra muitos. E minha avó, sempre amparada por sua fé, se utilizava das Escrituras para me levar à compreensão da vida e aos ensinamentos necessários para crescer como um ser humano.

Principalmente os livros de Provérbios e Eclesiastes foram suas armas para me discipular. Quando ela faleceu, eu recuperei entre as coisas dela, a minha velha Bíblia, minha primeira Bíblia. Nela estão os registros destes nossos momentos de leitura e conversa sobre os textos de sabedoria.

Quando ouço que tenho sabedoria, inteligência e coisas do tipo, minha primeira reação é a de rir internamente, pois me considero um pouco (muito) abaixo de tais adjetivos. Ao mesmo tempo, me lembro de que, desde cedo, fui orientado pela Sabedoria das Escrituras, por meio da minha avó. Se há algo em mim de bom em relação a esta dimensão da vida, ela certamente é responsável por isso.

Ainda sobre essa conversa, durante a mesma eu me lembrei de que, no texto de final de ano, uma das minhas referências, além da minha interlocutora, era minha avó. Sobre compreensão.

2017 foi um ano em que lembrei muito dela. Em quase todo o tempo ela estava presente, como se quisesse me orientar. Não, é evidente que não estou falando de questões espiritualistas que, embora respeite demais – como sempre -, não tenho tendência a crer na mesma. Mas falo de “flashbacks” mentais, palavras, ações, ideias que me remeteram, quase sempre, a coisas que vivi com minha avó.

Hoje completa-se o sétimo ano desde sua partida. Desde aquele dia, tanta coisa aconteceu no mundo, na Igreja que ela amava, na família, comigo. Talvez, principalmente, comigo – sem querer ser egoísta.

Minha vida mudou muito nestes sete anos, principalmente na segunda metade destes. Mas o que não mudou foi o respeito, o carinho, o amor e a saudade que aquela partida ainda me causa, volta e meia.

Sempre me recordo daquele dia. Enquanto muitos choravam, caíam, perdiam o chão, eu apenas pedi forças para conseguir ajudar aos demais. Não chorei. Não fiquei à beira do caixão me lamentando. Me recusava a ficar muito tempo diante de algo que me tornava impotente.

Passei a noite em claro, fazendo algumas boas viagens entre Cachoeirinha e Porto Alegre, buscando e levando familiares, sempre com uma das pontas da viagem sozinho. Mesmo assim, só pensava nela com vida. Só pensava no nosso último encontro, três dias antes, que eu senti que seria o último enquanto, ao mesmo tempo, a vi um pouco animada em alguns momentos. Nossa despedida foi divertida, alegre e com um bom papo.

Sete anos e ainda está tudo tão presente. Sempre estará. Às vezes, ao chegar em casa e passar pela janela da casa que era dela, olho para dentro e lembro de como os móveis eram dispostos, o sofá onde ela costumava ficar enquanto eu, da janela conversava com ela diversas vezes.

Saudade é boa quando você sabe que amanhã, logo ali, você vai encontrar a pessoa e saciar aquele sentimento de falta. Vivo isso muitas vezes. Às vezes, penso ser até demasiada a forma como sinto falta de quem amo.

Mas saudade talvez não seja a melhor palavra para definir uma ausência definitiva. Essa saudade é bonita, traz boas memórias, mas ativa uma dor indescritível. Uma dor que estará sempre lá, nunca diminuirá. Aquela dor com a qual aprendemos a lidar apenas.

Hoje faz sete anos.

E hoje também é dia de celebrar o nascimento dela. Sim, ela chegou e partiu na mesma data. Uma simetria digna de seres especiais. Ela estaria completando 78 anos se ainda estivesse aqui.

E, de uma forma ou de outra, ela sempre estará. Diariamente, em cada detalhe, ela sempre aparece para dar uma dica, trazer um velho conselho à tona, lembrar que a sabedoria ainda é a maior forma de usar a liberdade que nos foi dada.

Tanta coisa que ela deveria saber hoje. Mas a vida é assim, infelizmente. Alguns partem para a eternidade antes do tempo, outros no tempo exato. E o tempo, este amigo e inimigo de nossas almas, parece ser sempre o senhor das razões.

Feliz aniversário, Vó.

Daqui de onde estamos, sentimos muito a sua falta. Eu sinto muito a sua falta. Não chorei naquele dia, mas foram tantas as vezes em que lágrimas caíram depois que seriam incontáveis as páginas a relatarem.

Sete anos e uma vida ainda pela frente, na certeza de que, muito mais do que jamais ser esquecida, ela estará sempre presente, de diversas formas, a me lembrar de como viver.

Obrigado. Saudades. Sempre.

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