UM ANO, CINCO MESES – YES, I CAN

Um ano e cinco meses, hoje, desde a cirurgia. Muito mais motivos a comemorar do que lamentos para elencar.

Continuo com dificuldades na cabeça neste período de estabilização, ganhando quilos aqui, perdendo ali, com dores acolá.

Há quem diga que é fácil. Pior ainda, há quem venha encher o seu ouvido com papos do tipo “Eu conheço fulano que engordou tudo de novo”… Mal sabem o quanto estas coisas fazem mal a quem passa por este período em que o corpo muda todos os dias, a mente não consegue acompanhar, as pessoas enxergam uma coisa e você outra.

Junte a tudo isso uma vida que passa por uma transição complicada, agenda lotada, conflitos pessoais, religiosos, profissionais, relacionais… tudo pode somar para que a mente funcione ainda menos.

Mas estou feliz por chegar até aqui. Há 17 meses eu não imaginava que teria eliminado mais de 70 quilos, deixado praticamente metade de mim para trás e que conseguiria sobreviver a todo o processo.

Hoje, as lutas são outras. Muitas delas lutadas ao lado de gente especial. Muitas delas apoiadas por gente muito especial.

E muitas delas batalhadas de forma solitária e silenciosa, tentando evitar julgamentos, palavras mal colocadas e maiores conflitos emocionais.

Em geral, as pessoas te amam e querem seu bem. Isso é bom.

Mas sempre haverá a parcela que gostaria de ver o seu fracasso para apontar o dedo depois e dizer: “eu avisei”… gente que quer saber de partes da sua vida que não interessam, que te incentivam em coisas que não importam.

Gente que se interessa mais pela sua vida amorosa – que sequer existe -, perguntando a todo momento sobre estas coisas, do que se você está bem.

Gente que te compra para depois cobrar a sua alma. Gente que não aceita que você consiga ter sucesso em alguma coisa.

Não importa.

Continuo lutando, todos os dias, contra os sintomas emocionais que este período traz. Sem condições de ter um acompanhamento profissional – por mais que a querida da médica tenha tentado de todas as formas ajudar e dar opções, pela importância extrema de ter este auxílio profissional neste momento -, vamos lutando com as armas que a vida nos dá.

Não sou pessimista.

Às vezes, eu mesmo fico me cobrando sobre isso. Mas não sou. Sobrevivi 35 anos com uma grave doença me arrastando, prejudicando diversas coisas e nunca desisti, nunca deixei de crer que poderia, um dia melhorar.

Sobrevivi às diversas traições de gente que estava ao meu lado, envenenando minha água e me dando de beber. E aqui estou.

Sobevivi muitas vezes e tantas outras morri e ressuscitei. Mas nunca deixei de estar lá. Por mais sisudo que digam que eu seja, quem convive comigo, quem conversa comigo, quem está sempre comigo sabe que eu posso estar na pior fase da vida, no pior humor do mundo, sofrendo, chorando, mas estou sempre brincando, falando alguma bobagem, contando piadas sem graça, tentando ajudar os outros, tentando fazer alguém sorrir, apoiando o próximo, mesmo estando precisando, tantas vezes, eu mesmo de apoio.

Porque a vida me ensinou assim. Porque a fé que ousam dizer que não tenho, me ensinou assim.

Não, não sou um pessimista. E por isso estou aqui, comemorando 17 meses de cirurgia e mais de 70 quilos eliminados. Não sei meu peso. Não vou tirar a roupa. Está frio. E tenho evitado me pesar. Mas sei que é mais de 70, talvez 75, 76, 73, 78… tudo depende do dia.

Há muito o que comemorar. E vou comemorar sempre.

Mesmo com as dificuldades, mesmo estando aqui, correndo atrás dos prazos perdidos nas faculdades, estou aqui, fazendo isso porque sei que posso.

Só posso agradecer.

 vida segue, e eu vou correndo atrás dela. Mesmo em meio ás tribulações da vida… com felicidades impagáveis.

Obrigado. O Amigão da vizinhança fica feliz em estar vivo, vivendo, incomodando e cantando.

 

Comentários

Comentário