MUSIC AND ME – OITO ANOS…

“Never can say goodbye

No no no no, I

Never can say goodbye”

 

Oito anos não é nenhum tipo de marco. É apenas uma data como qualquer outra. Menos quando se trata de gente que fez parte da sua vida, mesmo sem saber.

Menos quando se trata de uma das entidades mais sensacionais da história.

Menos quando se trata de Michael Jackson.

O trecho acima, da música Never can say goodbye, parece um grito de socorro. De alguém que já se foi, neste caso. Eu sempre me pergunto: “será que ele quis ir?”.Será que, em algum momento, ele resolveu que era hora de dizer adeus ou foi um descuido?

Oito anos sem a perspectiva de algo novo do monstruoso artista. É verdade que a arte nos acaricia com um vislumbre da eternidade. Enquanto houver quem continue amando, a obra do artista continua viva.

Mesmo assim, escutar os arranjos minuciosos, as batidas precisas, a percussão vocal, disfarçada com uma dupla identidade, a voz afinada ao extremo e não pensar que ele poderia estar produzindo é estranho.

Ouvir as letras, debruçar-se sobre a profundidade de algumas delas e ver que não há muita gente falando tanto a respeito de humanidade na história como ele fazia… Chega a ser doloroso.

Ver os passos de dança executados de forma surreal e perceber que, por mais que ele seja cultuado e milhares de pessoas imitem seus movimentos, ninguém consegue ser Michael Jackson é aterrorizante.

Nestes oito anos, deixei de escutar só músicas antigas e me permiti conhecer coisas novas. Evidentemente que, quando falo coisas novas, na maioria das vezes estou falando de coisas velhas que, pra mim, são novas.

Muita gente fantástica. Artistas primorosos, sonoridades que me agradam demais. Respeito à Música. Eu não tenho mais paciência para ser instrumentista. Sei tocar e considero-me um músico razoável.

Mas não tenho paciência pra quem não respeita a Música como ela deve ser respeitada. Pra quem não percebe a importância do fazer musical, as mensagens que podem ser transmitidas através desta arte e o quanto ela tem o poder de falar com o ser humano, pela sonoridade, letras, qualidade do conjunto.

Michael respeitava a Música.

Se considero bandas como Earth, Wind & Fire, como absurdamente completas, ou bandas que acompanham astros como Stevie Wonder, Paul McCartney e, mais recentemente Ole Borud, dentre tantas outras como sensacionais, ainda coloco o conceito de música de Michael Jackson acima disto.

Escutar seus discos com atenção é navegar por um mundo de arranjos tão detalhados que horas de audição ainda poderiam deixar escapar uma ou outra nota.

Ele respeitava a Música, fazia o seu trabalho de forma exaustivamente perfeccionista.

Quem dera eu tivesse a chance de participar de um ensaio dirigido por ele.

Quem assistiu ao documentário This is it deve se lembrar do momento em que Michael está ensaiando “The Way You Make Me feel” e o diálogo é sensacional. Ele simplesmente diz que quer ouvir o arranjo original sendo executado, porque é o que os fãs gostam.

Respeito.

São oito anos em que se imagina como teria sido a performance ao vivo daquele Show. Os ensaios mostrados no documentário mostram que ele estava entrando em forma, evoluindo. Havia uma atmosfera de sucesso no ar.

Me pego pensando: e se foi justamente o pensamento perfeccionista e a possibilidade de algo não sair como ele queria que acabou levando Michael?

 

“I’m gonna make a change

It’s gonna feel real good”

 

 

Será que, no final das contas, ele teria pensado em fazer uma mudança definitiva? Que isso seria bom? Será que o medo de fracassar, a pressão, o ódio que parte do mundo direcionava para ele teriam pesado?

Nunca saberemos.

Fica a saudade do que poderia ter sido. A imaginação do que nunca foi. E a contemplação do que ficou.

Hoje são oito anos. Daqui a pouco serão dez, vinte, cinquenta. São poucos aqueles que eu realmente admiro pelo que fazem. Acho muito importante valorizar as pessoas pelo que elas são.

Mas não convivi com Michael, não sei como ele era. Os outros contam, mas nada substitui o conviver. E nunca convivi. Então jamais poderia emitir qualquer juízo de valor em relação ao homem privado.

Mas o artista me cativa, é trilha sonora da minha caminhada, me faz refletir em letras muito mais profundas do que aqueles que dizem viver o amor e pregar o amor expressam em suas músicas ruins.

E este artista deve ser celebrado. Sempre. Todo o ano. Todos os dias. Porque ele conseguiu o que poucos conseguiram e o que muitos jamais conseguirão. Ele foi soberano na arte que escolheu para amar.

Obrigado Michael. Sinto sua falta.

O obrigado por esta letra, que encerra este texto. Ela está recheada de lembretes de algo que guia minha vida. Ela é espelho, é pedra falando no lugar de quem apenas ecoa no vazio.

E este trecho… é uma meta de vida. Estou tentando.

Oito anos… and you “are the one who make a brighter day”. Still. Forever.

 

“I’m starting with the man in the mirror

I’m asking him to change his ways

And no message could have been any clearer

If you wanna make the world a better place

Take a look at yourself and then make a change”

 

 

 

 

Obs.: Sempre há aquele fanático que lê meus textos e acha que eu tenho a obrigação de respirar a fé que vivo. E que isso implica em condenar aquele que, na visão deste fanático, merece a morte, a condenação, a podridão. E que eu, como um cristão, deveria ser exemplo. E que eu, como músico, não deveria me contaminar com o mundo.

 

Deixe-me estragar meu texto, antes que você tente, mas lhe dizer poucas palavras:

 

Primeiro: Eu não dou a mínima importância para o que você pensa. Então poupe-se.

Segundo: tenho uma novidade para lhe contar. Eu respiro a fé que vivo. Diariamente. Mas, como diria o velho Rubem Alves, eu não sou um asmático na minha relação com o divino. Não entendeu a referência? Steve Rogers não gostou muito disso.

Terceiro: Eu não condeno ninguém. Se o livro que você diz amar e pautar a sua vida fosse lido, você perceberia a incoerência deste pensamento.

Quarto: Eu, como músico… sou músico. Eu não me contamino com nada. Aliás, a própria Palavra que você diz seguir deveria ter lhe dito isto. Ela é bem precisa, não tenha dúvidas.

Quinto: Apenas não tente. Não vai dar certo. Mas agradeço, de qualquer forma. Agora eu posso, quando você ou sua turma virem me incomodar, apenas fazer uma citação a este texto. E ainda colocar (MAGALHÃES, 2017) no final. Sou grato por isso.

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