Remando…

Noite escura, nenhuma estrela brilhando nos céus.

Céu que, lacrimejante ostentava um gigantesco… Nada.

Angústia, medo, estafa. Sentimentos amargos e desconexos invadem aquela escuridão.

No vazio da alma, uma intrigante e displicente ansiedade.

Já não tinha para onde ir. Dentro do barco, remava sem rumo, sem norte. Um oceano insalubre de dificuldades se impunham como barreira para as remadas.

A calmaria de vez ou outra antecipava o choque de uma onda gigante, que jogava o barco de um lado para o outro. Cada golpe era um prenúncio do fim.

Talvez fossem dois oceanos. Ou todos eles.

Resistia.

Tentava manter serenidade, paciência e esperança. Bradava contra o momento em que entrou no barco. Maldita ideia.

Mas perseverava.

Não enxergava mais de um metro à sua frente. Se pensasse como os antigos, poderia estar rumando ao precipício de um plano fim do mundo.

Mas remava.

Sentia o amargor do característico sabor dos mares. Beleza e sabor eram características absolutamente antagônicas no maior expoente do belo na Terra.

Sabor este que lhe trazia à memória o ardor do momento. Precisava encontrar terra firme.

Era preciso continuar. Era preciso forças. Era preciso.

Era preciso?

Já não sabia. Quem sabe não fosse a hora de, em meio às sombras da noite, largar os remos e deixar o barco seguir sem rumo, sem graça, sem vida?

Não.

Era preciso continuar, mesmo sem forças pra remar. Era preciso chegar ao final da história, para na história escrever um final.

Precisava continuar. O restante iria passar.

Angustiado, pegou os remos. Sorriu para o Oceano, cúmplice em esconder em si mesmo as lágrimas que causava.

Irônico? Perspicaz? Necessário!

Apontou para onde sequer enxergava e remou.

Como chegaria? Ele não sabia.

Onde chegaria? Tinha apenas um vislumbre de ideia.

Remou. Porque resolveu encontrar nas perguntas a força para empurrar o barco. Na busca pelas respostas o combustível.

Ia chegar.

Comentários

Comentário

  • Izabel

    Seguir remando na escuridão é bem isso: acreditar que esse esforço de permanecer remando vai nos ajudar a acender nossa própria luz

    • Rodrigo Magalhães

      Isso!! Bem captado!!