Quando da formação do mundo em que vivemos, o passo mais importante, segundo a própria Bíblia, foi a formação do homem. Com todos os outros elementos formados, a qualificação dada por Deus foi de que “era bom”. Quando o homem foi criado, diz a Bíblia que era “muito bom”.
Uma das coisas que deve ficar clara quando das admoestações de Deus ao homem, era sua superioridade diante do restante da criação. Em nenhum momento foi dito ao homem que este deveria perceber, ao longo de sua vida, que iriam nascer homens de outras cores, feições, culturas... e que este homem, perfeito, criado por Deus, deveria ser superior a estes também.
Não se sabe como surgiu a diversidade de cores, etnias, etc. Alguns segmentos chegam a extremos dizendo que os negros surgiram do pecado de Caim. Sem dúvidas uma grosseria extrema. Fica, de partida, a dúvida: quem disse que os primeiros homens eram brancos?
Com o passar dos tempos e a mistura dos povos, foi-se criando preconceitos contra cor, etnia, cultura, religião, etc. O impressionante é que há gente que não sabe se utilizar nem de terminologias e querem agredir o próximo.
Bem, falamos, claro do chamado RACISMO. Não gosto de entrar nas polêmicas deste ramo, mas diante do estardalhaço que um fato ocorrido no jogo entre Cruzeiro e Grêmio, pela Libertadores, na última semana, que me revoltou muito, tive que escrever sobre o assunto.
Conforme relatado na mídia nos últimos dias, durante o jogo entre as duas equipes, o jogador gremista Máxi Lopes teria chamado o cruzeirense Elicarlos de “macaco” ou “macaquito”, conforme as versões. Ofendido com o que ouviu, o cruzeirense prometeu ir à delegacia prestar queixa crime contra o argentino, o que acabou por fazer mesmo. E daí se seguiu uma série de argumentos, contra-acusações, e outros pormenores.
Fato é que, mais uma vez, diante do exposto, se comprova que o povo, e principalmente a imprensa, tão dona da razão, não são qualificados para certos assuntos, e mais uma vez erram no que publicam. O jogador se sentiu vítima de um ato racista, e a imprensa corroborou o pensamento do jogador, ao fazer jorrar nos veículos de informação que Maxi cometera racismo.
Mas, afinal de contas, o que significa racismo? Em minha compreensão, a palavra racismo tomou a forma das diferenças de pensamento em relação às diversas “raças” humanas no mundo. O que tem pensamento racista compreende que há diferentes níveis de humanos, em se tratando de cor, aspectos biológicos, inteligência. Creem que há “raças” superiores a outras. Culturas diferentes e superiores em relação a outras.
Pra começo de conversa, o termo raça já desqualifica qualquer assunto posterior. Somos uma raça apenas. RAÇA HUMANA. Este termo raça, para diferenciar aspectos biológicos, físicos, dentre outros. Falo que desqualifica porque este termo, utilizado mais na antropologia, já é de desuso na mesma, por, estritamente falando, era mais utilizado até o século XX e a chegada dos estudos da genética.
Era utilizado pela taxonomia para classificar subespécies. Ou seja, raças=subespécie. Incluíam em seu estudo também aspectos culturais, que variam de grupo para grupo, além dos já citados acima.
Por isso se utiliza o termo raça, mais no senso comum hoje, para designar etnias, cores... é incorreto desde que haja compreensão de que a raça é a mesma. Somos todos humanos, a genética, o DNA estão aí pra conversar e comprovar isto.
Então, voltando agora ao racismo, este se torna o preconceito contra um destes grupos raciais. Desde sempre houve o racismo. Seja ele para justificar guerras, escravidão, genocídios, sempre houve atitudes qualificadas como racistas na história da humanidade.
Se formos ver, o preconceito se estabelece desde os mais antigos tempos. Se tomarmos a Bíblia como exemplo, veremos povos sendo levados cativos, perdedores em guerras e invasões, sendo humilhados e tendo que trabalhar forçadamente como escravos pelo povo vencedor, que, naturalmente, considerava os cativos como raça inferior. Vide o povo de Israel e os Egípcios.
Quando do início das colonizações começamos a ver muitos casos de racismo. Como o Velho Mundo colonizou boa parte do mundo, aplicava a teoria das “raças inferiores” para justificar seus atos preconceituosos. Assim foi com os povos africanos, que de um acordo amigável em um primeiro contato, se tornaram “inferiores”, e passaram a ser somente como escravos. Lembremos, claro, que sempre houve escravos, e que isto não é sinônimo de “negro”. Escravos eram os inferiores.
Mas os africanos, e posteriormente os índios nas Américas foram vítimas de preconceito. Ao serem considerados inferiores, tiveram que lidar com a imposição, por parte dos “superiores”, de leis, normas, culturas, formas de viver. Bem, quem se levantava contra, era, claro, morto. Daí podemos ver os grandes genocídios.
Um caso que não tratava de negros, e sim de toda e qualquer “raça” que não fosse a sua, foi o nazismo. Os grandes atos racistas cometidos na época, principalmente contra os judeus, dizimaram milhões de pessoas, por o incentivo vindo “de cima” de que o povo alemão era a mitológica raça ariana, seres perfeitos e superiores. E aqueles que não se encaixavam nesta ordem eram sacrificados, pelo bem da sobrevivência da raça.
Outro caso famoso aconteceu até anos atrás na África do Sul, com o apartheid, que, como sabido, era a ordem de que os brancos eram os únicos e verdadeiros cidadãos, e aqueles que não fossem brancos, tinham que viver separados destes, e sujeitos às suas imposições.
Bem, poderíamos ficar horas escrevendo detalhadamente e acrescentando outros casos, mas com estes nós já podemos chegar a algumas questões. Ao lembrar estes casos e voltar ao nosso tema, justifica-se o que acontece hoje no nosso país?
Vamos explicar: somos um povo muito diferente. Se olharmos alguns países mundo afora, veremos que as pessoas têm as mesmas características, são parecidas de uma forma geral. Ficamos surpresos quando vemos algo diferente disso. Ou, quem não percebeu que, no time da África do Sul, havia dez jogadores que eram negros, e um que não era? Será que este sofre preconceito? Pelo que é amado pela torcida, parece que não. E quem não conhece a história da África do Sul, pode não compreender o que este jogador faz lá. Mas é completamente natural.
No Brasil, se observamos, até na rua, são tantas pessoas diferentes, que chega a impressionar. São brancos, morenos, negros, mestiços, e por aí vai. Só que somos um mesmo povo, com mesmas características culturais, apesar do tamanho do país.
Ao vermos os vários casos de supostos racismos no esporte, fica uma dúvida no ar. Será que é mesmo racismo? E, por que estou fazendo esta pergunta?
Simples. Compare com o que foi escrito antes e responda se é racismo. Outra coisa. Esportes como futebol são campeões em todo o tipo de ofensa. Uma falta, um lance errado, um empurrão e já é um seu #$%¨&*, filho d%¨&*(), vai s#$%¨&*, e por aí vai. No meio disto sai um negro, branquelo, alemão e já é racismo?
Antes de responder esta questão, só mais uma apimentada, sem defender o jogador Maxi, mas crendo em sua boa índole. O jogador está no Brasil há três meses. Já sabe que para ofender um jogador que é negro deve se utilizar dos termos que foram citados? E ele sabe o que isto significa no Brasil? Sim, porque todos sabemos que estas palavras são brasileiras, no espanhol, macaco, ou primata é conhecido como MONO.
Mas, voltando ao assunto, de maneira nenhuma a imprensa deveria ter veiculado que Maxi cometeu racismo. Excitou o povo, poderia ter havido uma tragédia! Se for indiciado, a acusação de racismo será desqualificada em poucos segundos. Se for acusado, será por injúria, qualificada. Injúria, todos sabemos significa ofensa, ofender a dignidade do próximo, a honra, a moral. Bem, se eu estou no campo e alguém me chama de filho d@#$%¨&, vou processar por injúria também, afinal, ofendeu minha dignidade, e da minha mãe!
Conforme a lei 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que define os “atos criminosos” referentes à cor ou raça, diz o seguinte em seu artigo 20:
“Art. 20. Praticar, induzir ou incitar, pelos meios de comunicação social ou por publicação de qualquer natureza, a discriminação ou preconceito de raça, por religião, etnia ou procedência nacional. (Artigo incluído pela Lei nº 8.081, de 21.9.1990) Pena: reclusão de dois a cinco anos. Ver lei aqui.
Compreendido? Em nenhum parágrafo ou artigo, e aqui colocamos o que mais poderia se aproximar dos casos em voga no país, há algo como o que aconteceu no campo de futebol. Se Maxi tivesse ido ao microfone, reclamado de Elicarlos e proferido palavras preconceituosas, aí estaria com sérios problemas. E aqui tratamos do crime de injúria. Se há possibilidade de desqualificar este crime, imagine o de racismo. Que é isso gente.
Em um país em que grande parte da população é negra ou mestiça, há que se compreender que nem tudo é racismo ou injúria. Conheço gente que adota o apelido de “negão”, ou “nego”, ou ainda “neguinho”, sem que se sinta ofendido ao assim ser tratado ou referido. Conheço casais, nem sempre de negros, que se tratam como “neguinho”, ou “neguinha”, “nêga”, sem preconceito.
Sabemos que há gente preconceituosa, mas vejo isto mais como xenofobia do que atos de cunho racista. Pessoas que não sabem lidar com as diferenças do próximo. Existe muito disto, e não só com negros. Vejam o que fazem com as mulheres, especialmente as loiras. Ou com definições de beleza, estética. Se for feio vai ser ridicularizado por isto. Se for gordo ou magro demais, idem.
Existe muito disto. Agora, no que se refere a esportes, está mais do que na hora de pararmos com isto. Ou se pune todo e qualquer tipo de ofensa, e o árbitro que está lá pra isso, assim deve ser orientado, ou se para de jogar. O que mais se vê, ouve, ou “lê” nos lábios dos jogadores, são palavras de baixo calão, sejam elas nos momentos de brigar com alguém, seja na hora de comemorar.
Preconceito existe. Agora, a imprensa tem que aprender um pouco a escrever as coisas de maneira que não leve seu público a pensamentos errados, e atitudes perigosas. Havia gente querendo linchar o argentino lá em Minas. Lembre-se, não estou o defendendo. Falo nele pensando em casos anteriores também, como o de Antônio Carlos, ou de Grafite, onde, como disse Juca Kyfouri, houve realmente preconceito racista, mas contra o argentino, que por ser argentino teve um tratamento desumano no caso.
Pra encerrar, volto ao início, a mesma Bíblia que não relata divisão de cores como sendo motivo de superioridade ou preconceito, traz um recado aos cristãos. Quando cristãos, recebemos um recado importante, somos raça eleita, geração eleita, TODOS.
Um abraço, e viva a diversidade, que torna o nosso mundo tão belo e cheio de vida!
Rodrigo Magalhães
Fontes:
http://pt.wikipedia.org
leis brasieiras
http://mariabls.blogspot.com/