sábado, 11 de julho de 2009

Amigos, ideias erradas e datas complicadas

Mês de julho... lembro do mês de julho por algumas coisas... minha mãe e minha irmã fazem aniversário neste mês. Mas não é somente isto. Chama-se “Dia do Amigo”. Todo mês de julho pra mim é complicado por causa desta invenção. Penso muitas coisas, reflito sobre muitas pessoas, e chego a conclusões que muitas vezes me deixam arrasado, mas que me trazem para a vida, de fato. A chamada realidade.
A Bíblia, companheira inseparável de minha vida, traz soluções dicotômicas para o meu problema. São grandes paradoxos que, às vezes, são engraçados, pois se completam. Ao falar que “maldito o homem que confia no homem”, me traz à memória uma quantidade incomensurável de vezes em que coloquei minha confiança em alguém que considerava um amigo, e não obtive o retorno desejado.
Ao me lembrar de outra passagem, que informa haver amigo mais chegado que um irmão, ou outra ainda que diz que “em todo tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão”, minha memória pende para às vezes em que, de alguma forma, estes textos se tornaram válidos na minha caminhada.
Sempre tive por característica ter muitos amigos. Ou pensei ter esta característica. Na verdade me fiz amigo de muitas pessoas que não valorizavam este ente como sendo um amigo de verdade. Aquele velho e conhecido jargão de que “eu era amigo dele (a), mas ele (a) não era meu amigo (a).
Constatar certas coisas na vida leva tempo, às vezes até porque não queremos que verdades implícitas em atitudes se tornem, de fato, verdadeiras. Mas, com o tempo, aprendemos a, cada vez mais, ler nas entrelinhas.
Lembro-me de um tempo em que me sentia orgulhoso em ter várias pessoas para chamar “amigo”. Tola ilusão de um jovem que ama o próximo. Não julgo estar errado em ter amigos, longe disso. Só não compreendo por que algumas pessoas insistem em conceitos falsos de amizade. A palavra amigo deixou de ter valor, principalmente com a chegada da internet e suas comunidades virtuais. Lá todos os que desejarem podem se candidatar a serem “amigos” de alguém. Sem ao menos conhecer, sem ao menos compreender o valor de uma amizade.
Quando eu me lembro de Moisés, e seu relacionamento com Deus, fico com uma ponta de “inveja”: a Bíblia vai contar, em Êxodo 33, que Deus falava com Moisés como falamos com nossos amigos. Ah... imaginem... neste a gente pode confiar, certo?
Já considerei amigos pessoas que destruíram outras amizades minhas, lembrando um pouco aquele texto de Provérbios16.28; triste, mas verdadeiro. Claro que, por motivos que fogem à compreensão, muitas vezes relevamos certas coisas, por mais graves que sejam, por realmente termos um sentimento verdadeiro de amizade para com alguém. Mas, às vezes, cansa.
É triste constatar que nossa sociedade atual se contenta com o pouco, ou nada que lhes é oferecido. Um homem que tem amigos é aquele que teve que abrir novos perfis no “Orkut” para cobrir a demanda de novas “amizades”. Mandar um recado, um “sms” perguntando “como vai? Tudo bem?” já é considerado o nirvana das amizades.
Sinto falta do tempo em que amigo era aquele em que podíamos confiar, aquele a quem guardamos os nossos maiores segredos. Os fundamentalistas irão me dizer que o melhor amigo é Jesus, que falou a seus discípulos que já não os chamava de servos, mas sim de amigos, etc., etc. Ok, não estou falando disto. E, com certeza, se não houvesse amizades entre nós, habitantes deste mundo louco, a Bíblia não traria relatos como os mencionados, e outros mais belos, como os relatos da amizade entre Davi e Jônatas, em II Samuel. Estou me referindo somente às amizades que temos entre nós, humanos.

É difícil hoje, olhar para os lados e enxergar verdadeiramente um amigo. Há pessoas que têm talentos perigosos, capazes de mascarar verdades com pseudobondades. Acabamos por “cair” no golpe do “amigo”, e quando vemos, estamos envoltos em sujeira que nem imaginamos de onde sai. Desde aquela intriga menor, chegando a casos evolvendo finanças. Tudo em nome de “amizades”.
Hoje, neste momento, não ouso qualificar aqueles que são, de fato, meus amigos. Tenho muitos que considero amigos, na essência do sentimento, assim como Jônatas amou a Davi. Às vezes, diria até muitas vezes, as pessoas nem sabem do carinho e amizade que sentimos, mas nada apaga este sentimento. Agora, há muitos, muitos mesmo, que se dizem amigos, e não compreendem o valor deste sentimento. Muitos eu deixei de considerar como amigos há algum tempo, passaram a ser como aqueles citados acima, dos sites de relacionamento. Outros, à medida que o tempo passa, vão deixando de ser o que tentavam ser.
Não digo que eu seja o melhor amigo que existe. Com certeza já machuquei muita gente com palavras, gestos. Mas nunca em minha vida traí ninguém. Levarei comigo esta honra, e nada me tira isto. Fico triste quando vejo amizades indo pelo ralo, mas as consequências poderiam ser piores se não fosse assim.
Sigo me divertindo com os paradoxos bíblicos, até porque, como disse, eles se complementam, e ensinam que nem tudo vale para todos. E que para muitos falta compreensão de valores. Às vezes entendo até que falta inteligência. Muitos dos meus ditos amigos estão espalhados pelas Igrejas afora. São ou já foram cristãos. Outros nunca entraram em uma Igreja (até agora). Não classifico meus amigos por eles serem “mundanos”, como dizem por aí, não ouso fazer isto. Um dos meus últimos textos, inclusive, traz um testemunho de uma amiga que não é cristã, e que é uma das pessoas que mais considero. Classifico meus amigos, ou melhor, trato verdadeiramente como amigos, aqueles que, de fato, compreendem o valor de uma amizade, aqueles que têm caráter, aqueles em que, depositando minha confiança, nunca obtive respostas negativas. Claro que os plantonistas “aqueles” poderão me desafiar com textos como: “quem está de pé, cuide para que não caia”, mas não estamos falando de erros, tropeços... isso acontece. Estamos falando de caráter, de sentimento.
E isto não se encontra em qualquer página de internet.
Fica uma pergunta, que não cala em meu pensamento: para quantos destes amigos que eu tenho em minhas listas, sejam elas da internet, seja a da agenda celular, vou desejar “feliz dia do amigo” com sinceridade? Para quantos será apenas mais uma leva de palavras jogadas ao vento?

É... esta é a vida...

Um abraço,

Rodrigo Magalhães.

4 comentários - comente AQUI!!:

"LABAREDAS DE FOGO" disse...

Rodrigo Magalhães

Disse Jesus:
“Não pensais que eu vim trazer paz à terra. Não vim trazer paz, mas espada. Pois eu vim trazer divisão...”, essa dicotomia intencional de Jesus é um pensamento do alto. É paradoxal sim, contrário ao senso comum, do homem. É para não nos conformarmos com o mundo. Em Jesus não há contradição, Nele, as contradições que nos traíram são transformadas em verdades que nos confortam e nos fazem crescer na graça e no conhecimento!

Como dizia o poeta: “O pensamento parece uma coisa à-toa” , mas não é. O pensamento e algo extremamente complexo; três vozes falando quase que ao mesmo tempo em nossa mente. Nossos próprios pensamentos, amantes de si mesmo. Os pensamentos do diabo, setas envenenadas. E a voz de Deus, falando-nos pelo Espírito Santo!

Diante disso, lhe aconselho que a Bíblia não seja só sua companheira inseparável, mas que seja sua melhor amiga! Ela nunca, nunca mesmo, irá lhe trair!

Santa dicotomia paradoxal!

Rodrigo Magalhães disse...

É verdade, meu caro, não há nada mais fiel do que Deus e sua palavra...
Mas amigos existem, e são necessários... o brabo é achar alguém que seja de bem!!! Mas a gente se vira... Um abração e bem-vindo...

Wanderley Elian Lima disse...

Obrigado pela visita ao meu blog. Volte sempre isto me dará muito prazer.
Um grande abraço

Rodrigo Magalhães disse...

Opa, Wanderley, com certeza, tenho passado por lá, só não consegui comentar ainda!abração

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DIZIA UM CERTO FILÓSOFO! "Calarei os maldizentes continuando a viver bem; eis o melhor uso que podemos fazer da maledicência..."
"Não há nada bom nem mau a não ser estas duas coisas: a sabedoria que é um bem e a ignorância que é um mal..."
"Não devemos de forma alguma preocupar-nos com o que diz a maioria, mas apenas com a opinião dos que têm conhecimento do justo e do injusto, e com a própria verdade"
Platão... o que dizer... um mestre!

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